Carteira de Identidade para cães e gatos

Quanta incomodação pode ser evitada com essa iniciativa?

Você sabia que seu cão ou gato pode ter carteira de identidade? Já pensou em quanta coisa isso implica na sua vida, quanta incomodação pode ser evitada se você dispõe desse documento? Perdi as contas de quantas amigas viveram momentos de angústia por terem seus bichanos sumidos, especialmente felinos, que escolhem por onde andar. Quanta gente teve seu pet desaparecido e nunca mais encontrou? Toda hora me deparo com cartazes em postes com fotos de bichanos desaparecidos. Sem falar dos furtos de animais!

Embora nunca tenha tido meu próprio pet, na verdade, meus bichos de estimação da infância foram as viventes do galinheiro da minha casa no interior (me negava a comê-las quando alguma ia para panela), convivi com outros bichanos por tabela. Já fui até madrinha de uma cachorrinha chamada Mel. Hoje, aprecio eles soltos, como os pássaros que frequentam meu jardim.

Devido à atual conjuntura mundial do nosso modo de vida contemporâneo, em que muitos bichinhos suprem diversas carências, entendo que essa iniciativa do governo federal precisa ser melhor assimilada e adotada. Confira aqui o que envolve o Programa ProPatinhas – Programa Nacional de Proteção e Manejo Populacional Ético de Cães e Gatos.

Fiquei sabendo dessa novidade pelo meu sobrinho Mateus, que vive com quatro gatos com sua companheira, Ana Beatriz, em Brasília. Achei o máximo quando ele me mandou fotos das CIs de cada um dos animais. Embora more em apartamento no plano piloto, seus pets não saiam de casa, ela se preocupou em implantar microchips em cada felino depois de contratar um plano de saúde para eles. “Mesmo não tendo acesso à rua, se um dia eles se perderem, será mais fácil encontrá-los.”

Bia, como é chamada, conta que, quando a gata Angélica foi adotada, logo depois ela apresentou Felv (leucemia felina). Como não conseguiram outro lar para ela, foram ficando com a bichinha. Essa doença é contagiosa para outros gatos, tiveram que vacinar os outros três que já tinham. Por isso contrataram o plano de saúde anual, pois sairia mais barato do que pagar as vacinas para cada um. Para terem uma ideia, ela gasta por mês R$39,90 para cada bichano.

A engenheira civil Bia explica como funciona: “Na hora do cadastro, o tutor adiciona todos os dados de identificação, do responsável e do pet. É um jeito de dizer “este animal é meu e sou responsável por ele.  Para os pets que não têm microchip, após a finalização do cadastro, é emitido um QR Code com todas as informações do responsável, que pode ser colado na coleira do animal. No sistema também tem controle de vacinação e vermífugo, mas ainda não sei como adicionar as informações da carteira de vacinação. Também tem a opção de transferência de tutor, caso o cadastro inicial tenha sido feito por uma ONG e o bichinho foi adotado. Ainda tem a opção de óbito.”

Assim que me deparei com as CIs plastificadas pela Bia, fiquei pensando no tanto de amigas e amigos gateiros e cachorreiros que não devem estar sabendo desse serviço, que é totalmente gratuito. Fico sabendo de tantas situações inacreditáveis, surreais, que as pessoas hoje se submetem pelo amor aos seus animais de estimação. Aliás, se você não leu, veja o que a amiga Vânia conta o que fizeram no condomínio dela durante o desastre do ano passado para manter os animais ilhados alimentados e limpos. Escrevi aqui na Sler.

Uma amiga gastou todas as economias que tinha juntado para arrumar os dentes no tratamento do seu gato. Outra, o seu gato fez uma cirurgia que retirou seu pênis, o que a obriga a colocar fraldas descartáveis diariamente e muitos outros cuidados. E quanta gente não pode viajar, desfrutar de coisas fora de casa porque precisa cuidar dos seus animais? E aquelas que precisam se mudar para o exterior, então?

Quando um gato vira um caso de Polícia

A história mais recente que convivi, pois servi de testemunha, é pra lá de insólita. Demonstra a utilidade desse serviço. É a de um gato que vinha seguido aqui no condomínio onde moro. Todos os dias, praticamente, ele se aproximava de quem chegava na garagem. Miava, miava, implorava por atenção. Daí, é claro, a vizinhança começou a dar comida, a tratá-lo bem. Pronto, o bichano adorou o ponto.

Até que ele conquistou o coração de um vizinho que nunca tinha tido um animal de estimação em casa. Como o gato não saía daqui, parecia ser da rua, o vizinho o levou ao veterinário, que constatou que o bichano estava com problemas de saúde. Ou melhor, sofria maus-tratos. Resultado: o vizinho o adotou. Levou-o para sua casa, deu carinho, atenção, comida, tudo que o gatinho tanto implorava.

E o impensável aconteceu: depois de umas duas semanas, o dono do gato apareceu. Descobriu que o bichano estava no nosso prédio. Montou campana. Quis intimidar moradores, até com a presença de um carro de polícia (sim, o cara tem amigos na Polícia Civil). Queria o gato de volta.

O vizinho então foi atrás dos seus direitos. Contratou um advogado, entrou na Justiça para garantir a permanência da posse do bichano. Entrou com um habeas corpus preventivo.

Agora imagina quanta coisa poderia ser evitada se as amigas e o vizinho tivessem cadastrado seus bichanos no Sinpatinhas – Sistema do Cadastro Nacional de Animais Domésticos.

Dedico este texto às amigas gateiras e ao Branquinho, um gato, de quem tenho saudade de conviver. Foi meu companheiro durante os dias que estive cuidando da minha mãe com Covid-19 em Cachoeira. Ele era de uma vizinha, mas escolhia ficar na casa da minha mãe. Era incrível a nossa conexão. Infelizmente, tanto eu como meu filho somos bem alérgicos a pelos. Então esse é um motivo que me impede de ter pets, além de outros, como ser casada com um eterno vigilante sanitário.

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Foto da Capa: Freepik com montagem.

Texto originalmente publicado na SLER

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